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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse galopam livremente...

Não, não precisamos falar de crendices, religiosidade, ocultismo, nem quaisquer variantes de concepções metafísicas. Falemos apenas do que a realidade nos vem apresentando.

O mundo jamais esteve em paz. Se esteve, não há registros historiográficos que possam assim comprovar nem mesmo na mais remota antiguidade. A guerra sempre ocorre, aqui, ali, acolá. Montesquieu anteviu no comércio uma forma de atenuação dos ímpetos de conquista e, de certo modo, isso deve ter sido verdade durante algum tempo. Mas não foi suficiente para garantir a paz global. E pior, depois de algum tempo tornou-se motivo para novas guerras. A subdivisão da humanidade em famílias, clãs, tribos, cidades-estado, nações, desde sempre enraíza a forte noção de que seria indispensável ter meios de defesa contra outras famílias, clãs, tribos, cidades-estados e nações.

É da Ciência Política que não há como saber qual a origem da sociedade. Rousseau e seu bom selvagem contrastam com o Leviatã de Hobbes. De toda forma, o homem se agrupou e passou a guerrear. Parece mesmo uma contingência natural da espécie.

Sob um viés pessimista, pode-se afirmar que a natureza humana é má. O homem traz em si o veio da agressividade, algo mais que a ferocidade dos predadores, um autêntico sentimento de que deve atacar, conquistar, de modo contínuo. Tal concepção peca por abstrair grupos humanos que viviam e pregavam a paz já nos tempos remotos, como os essênios por exemplo.

Se formos otimistas podemos ver no homem uma entidade simiesca que, desenvolvido em sua capacidade intelectiva, dominou seu meio, passou a se utilizar de instrumentos, do fogo, e, nesse contexto, entendeu que poderia vencer as adversidades do ambiente. Dentre tais adversidades estariam os interesses de grupos semelhantes e desejosos dos mesmos alimentos, da mesma região com bons recursos de sobrevivência. As conquistas e expansionismo seriam efeito da antecipada noção de que um ataque viria.

Um posicionamento intermediário, talvez realista, é o de que dentre os antropóides simiescos que desenvolveram sua capacidade intelectiva já havia diferenças suficientes para gerar indivíduos com distintas motivações. Assim, grupos se reuniram mais por afinidade do que por estirpe, ao menos durante algum tempo. Tempo suficiente para alcançar uma vocação comum da maioria, a despeito do nascicmento de indivíduos estigmatizados, ovelhas negras, que desde então sofreram a má sorte de ser diferentes e compor uma minoria.

É lícito dizer que formaram-se grupos progressivamente maiores e sob um mesmo matiz comportamental. Os minoritários submeteram-se ou foram mortos ou expulsos. A religiosidade foi logo alçada à condição de causa legitimadora do poder nas mãos de uns poucos em cotejo com a massa assim dominada. Da força pela força, do macho alfa impondo-se por si, os dominantes passaram à elaborada estratégia de servirem-se das crenças que viam nos trovões e raios manifestações de um poder superior. Ao invés de atracarem-se entre si a cada renovação de comando, um sistema se estabeleceu asseverando que era da vontade dos deuses que este ou aquele estivesse na condução da vida pública. Claro que isso não acabou com as disputas internas de poder, mas propiciou maior estabilidade.

Os grupos pacíficos tiveram destino aparentemente inglório. Antes de serem dizimados por conquistadores, ou escravizados, deixaram um legado que se infiltrou por alguns sobreviventes mais adaptáveis. Por isso valores de cunho moral estranhamente elevado restou pontuado na tradição dos povos sempre como algo secretamente transmitido.

Na atualidade temos um passado recente de uma humanidade global sempre e sempre à beira de um conflito suicida. Já houve duas guerras mundiais. Conquanto muito se pense na Segunda Guerra Mundial, a Primeira foi particularmente sangrenta. Combates aproximados, inimigo a inimigo, garantiram uma inaudita agressividade contemporânea com uma sociedade que já produzira obras formidáveis nas artes, na ciência, na educação geral já então vigente em vários dos países combatentes. No segundo conflito mundial, ocorrido relativamente pouco tempo depois, o planeta assistiu à versão destrutiva de uma ciência que avançou a passos largos. Não só porque duas bombas nuclerares covardemente foram lançadas para destruição de duas cidades, matando civis, idosos, crianças, animais e destruindo tudo; também porque veículos, máquinas, meios de comunicação, foram aprimorados com imenso avanço. Comparem-se os aviões da primeira e da segunda guerra, por exemplo.

Seja como for, a Segunda Guerra Mundial desnudou como é possível seduzir nações inteiras com um ideário imoral, pérfido, desde que apresentado sob uma estética assustadoramente atraente.

A assim chamada “estética do mal”, como dizem teólogos, não é um conceito restrito à religião. É um conceito da Ciência Política, mesmo que se usem outros termos. O cenário do desenvolvimento do nazismo infelizmente não foi apenas um laboratório. Foram fatos que hoje podemos e devemos observar acerca da gigantesca eficácia que a propaganda política pode ter na condução de todo um povo. Novamente, apenas alguns poucos, uma minoria, enxergou o que ocorria e tratou, quem o pôde, de deixar para trás sua própria gente.

Cores, imponência, pompa, um símbolo cravado em milhares de faixas e bandeiras, tudo sob discursos inflamados, repetidos miríades de vezes para todos através de ondas de rádio, firmaram convicções horrendas como se fossem legítimos reclamos do próprio povo. Uma dominação econômica de inúmeras famílias de origem judaica foi o fermento friamente calculado para incitar o ódio contra pessoas que sequer estavam em ilicitude segundo as leis, até então, do próprio local.

Depois vieram os conhecidos conflitos na Coréia, sem desfecho até agora (meramente sob armistício até agora), do Vietnã, ambas como projeções de duas forças oponentes que ultrapassam muitas fronteiras, o capitalismo e o socialismo.

O antigo povo hebreu, depois da Segunda Guerra Mundial, teve um pedaço de planeta reconhecido como sua base territorial. Mas o preço disso é visto até hoje como um constante estado de beligerância entre os judeus, incrustados no mundo islâmico, e todos os seus vizinhos.

Entra no cenário mundial, de forma cada vez mais abrangente, o terrorismo. Em 2001, já no novo século e novo milênio, a humanidade vê o atentado ao World Trade Center, em Nova York. Vozes se levantam e advém nova guerra contra líderes de organizações terroristas.

Teorias da Conspiração, coisa comum desde sempre, aumentam com vídeos compartilhados na internet. Muitos afirmam que os terroristas são utilizados como bodes expiatórios de ações engendradas por grupos econômicos que lucram com a guerra e com o medo que conflitos causam em países temerosos de se tornarem alvos de retaliações.

Seria o clímax da inversão do conceito de Montesquieu. O interesse econômico estaria à frente de quaisquer outras considerações humanitárias. A guerra se torna um fenômeno controlado de acordo com a dominação financeira.

Teorias da Conspiração, aliás, tratam de variadíssimos assuntos. Seriam meras teorias?

A peste atormenta a humanidade desde os registros mais antigos da humanidade. Mas hoje em dia a coisa tem que ser avaliada sob outros parâmetros. Durante a Primeira Guerra não havia sequer penicilina. Mesmo assim, a água oxigenada, baratíssima, cuidou de evitar muitas necroses. Anos depois, já na Segunda Guerra, foi olvidado que a água oxigenada tem boa eficácia em feridas gastando-se milhões no desenvolvimeto da penicilina sintética. Claro que muitos agricultores ganharam um bom dinheiro com melões, cuja putrefação era rica no fungo que produz a penicilina. Mas, enfim, ela foi sintetizada e salvou muitas vidas. Ninguém liga para o fato de que boa parte delas poderia ter sido salva com o uso de água oxigenada, totalmente relegada a uma pretensa obsolescência. A partir daí, ganhou dinheiro quem dominava a produção do antibiótico.

Ferimentos de guerra são um aspecto menor da questão “peste”. Desde a antiguidade havia o estigma da lepra. Há o fogo selvagem, o pênfigo erimatoso. Doenças que estão atualmente ou bem tratadas ou em número apequenado, endêmico. Na Idade Média o mundo enfrentou a peste bubônica, que devastou dois terços da população da Europa. Houve a gripe espanhola. Na atualidade, conquanto tenham ocorrido milhares de mortes por patologias como a gripe suína, gripe asiática, remontamos à contaminhação pelo HIV, desde os anos oitenta, que colocou em voga novamente, no mundo todo, a possibilidade de uma pandemia exterminadora.

Felizmente hoje há medicamentos que fizeram dos portadores do HIV pessoas que tão somente precisam se submeter ao tratamento. O risco de morte por ser portador de HIV é menor, desde que tratado corretamente, do que para um diabético que, não raro, faz pouco caso do tratamento rígido. O diabético, aliás, necessita fazer uma rígida dieta, aspecto bem pouco aceito pela grande maioria dos doentes.

Cabe também mencionar que a tuberculose, temida como o próprio demônio até meados do século XX, continua matando milhares todos os anos.

Doenças não contagiosas, como o câncer, atingem a alarmante incidência de um quarto da população. Há todo um gigantesco sistema de tratamento e combate ao câncer. Laboratórios, equipamentos biomedicinais, radioterápicos, são continuamente feitos e usados no dia a dia dos pacientes. Se a cura para o câncer fosse apresentada ao mundo, de um dia para o outro bilhões de dólares seriam perdidos por quem domina cada setor gravitante dessa doença.

Todas essas circunstâncias já seriam suficientes à morte prematura de seres humanos em todos os pontos do orbe, tanto mais evidente, na grande maioria de nações subdesenvolvidas, por um outro aspecto que chega às raias do absurdo. Faltam alimentos. Um planeta como este certamente poderia alimentar toda a humanidade com um mínimo de boa administração de recursos. Terras agriculturáveis são objeto de exploração em escala industrial e tomadas como autênticas áreas de mera exploração econômica. O homem deixou a vida simples e adentrou à edificação de imensas cidades, estabelecendo-se um estilo de vida essencialmente urbano. As coisas se deram como se a vida urbana necessariamente fosse uma dicotomia, pondo de um lado a atividade rural e, de outro, as atividades de outra natureza.

Por trás de todas as mazelas da humanidade há um evidente elemento em comum. A ganância do homem. A ganância gera grupos humanos que engendram esforços comuns de dominação e propaganda, sob o sentido mais amplo da estética do mal. Faz com que chicanas sejam empregadas sob o bastião trevoso da corrupção, promovendo negociatas em que corruptores são corruptos de outrem, numa pirâmide de interesses escusos e sob intenso combate interno, porém administrados com o uso de meios sumários a fim de manter o sistema ilícito na estabilidade do medo e da morte.

Desde os menores membros da estrutura dos crimes organizados, uma criança que anuncia com pipas a presença da polícia numa favela, por exemplo, até os homens que jamais aparecem ao público, ocultos no financiamento desde o referido garoto favelado até a distribuição de drogas e armas pelo mundo, o Leviatã do Estado paralelo se estabelece em toda sua força e onipresença.

O Estado paralelo, aliás, se confunde com o Estado instituído, porquanto a corrupção abarca enorme parte da classe política com mandatos eletivos ou seus sequazes nomeados para cargos que gerem bilhões em recursos públicos.

E são esses muitos bilhões que são desviados... Gerando toda sorte de miséria mesmo em países com produção de bens e serviços que, com certeza, proporcionaria, com um mínimo de seriedade gerencial, o atendimento de boa parte das necessidades econômicas coletivas, a fim de atender ao bem comum.

Enfim...

Os Cavaleiros do Apocalipse estão galopando largamente no mundo já há várias décadas...


sábado, 1 de julho de 2017

Deveria haver homens conscientes na Terra?

Quem já meditou sobre o surgimento na Terra do homem racional, consciente, senhor de seu livre-arbítrio, já terá enfrentado as velhas e reiteradas questões aqui e acolá tangenciadas neste Blog.

Por aqui já se falou bastante sobre as cadeias planetárias e sistemas de evolução consoante o Budismo Esotérico (Sinnett), Rosacrucianismo (Heindel) e Teosofia (Blavatsky).

Debruçando-se sobre a descrição dos variados ciclos e subciclos do sistema evolutivo (na verdade, uma involução do ponto de vista vibracional e uma ascenção de retorno ao extremo de sutileza vibratória), podemos entender que a Terra, no atual esquema de evolução, acha-se no ponto mais baixo do espectro vibracional.

Vivemos sobre uma estrutura esquelética do Universo.

Heindel tem uma frase bem significativa (Conceito Rosacruz do Cosmos): o homem da Terra, um dia, será melhor do que os "Anjos" de hoje. Isso porque os "Anjos" de hoje não desceram até o ponto em que a Terra se localiza. Jamais viveram no plano da matéria densa, nos limites de um existir tridimensional.

Para que esta postagem não se torne por demais longa, convido o amigo leitor a rever os posts anteriores sobre esses temas.

O que desejo destacar aqui é uma concepção que tenta unir três aspectos bem difíceis de entender na antropogênese:


  • 1. O caráter recentíssimo do homem racional.
  • 2. A dualidade Bem X Mal inerente à sua condição.
  • 3. Os atrasados da Onda posterior, os lucíferos, que conosco coabitam ante a impossibilidade deles (lucíferos) desenvolverem um cérebro físico.

Iniciemos.

Os animais da Onda de Vida anterior eram menos evoluídos do que os animais de hoje da Terra. A Onda de Vida anterior desceu até a dimensão etérica, não física. Os animais de hoje, nos mesmos moldes anunciados para os homens e os futuros "Anjos" em relação aos "Anjos" atuais, são mais bem elaborados, aperfeiçoados do que os animais da Onda anterior.

De efeito, parece bem razoável que a Vida na dimensão da matéria densa pudesse engendrar um sistema encefálico de extrema individualidade, enriquecimento instintivo e até algumas noções fragmentárias de fenômenos mentais mais avançados.

Pense nisso. O animal chegaria a um nível de desenvolvimento em cujo ápice estaria a migração da Centelha de Vida para os limites do mundo etérico novamente. O animal a um pequeno passo da consciência não mais nasceria na dimensão física. Passaria a ser homem no plano etérico.

E por que?

Porque o desenvolvimento ainda maior de um cérebro na dimensão física, sob o ponto extremo da individualidade, geraria um risco gigantesco para o evolucionário. Apartado da Fonte Primaz, de sua essência elevadíssima, ver-se-ia como um todo, um indivíduo, um ser pleno de si mesmo, dono de si mesmo, não passível de ser confundido com conceito algum de essência suprahumana. 

É sabido que, como forma comum de reintegração de Centelhas de Vida atrasadas, elas permanecem mais algum tempo na Onda de Vida anterior, recuperando o aprendizado ao mesmo tempo em que servem de modelo para os ainda mais primitivos.

O que houve com os atrasados da Onda seguinte àquela vicejando na Terra? Retornaram à Terra para retomar seu aprendizado. Mas como seres que jamais haviam descido ao plano físico como animais poderiam engendrar-se em animais dotados de cérebro físico?

Não poderiam. Teriam que retroceder a uma perda de individualidade. Fica bem menos difícil entender que muitos dos atrasados (senão todos) recusaram-se a enveredar numa animalidade tão densa que, até mesmo, devia assustá-los.

Esses espíritos Heindel chama de Lucíferos. Bem a calhar o nome. Rebelaram-se e acoplaram-se à coluna vertebral dos hominídeos pré-encaminhados à condição de desenvolvimento cerebral maior. 

Depois que a indução mais elaborada da mente lucífera induziu no desenvolvimento cerebral tamanho incremento de capacidade, o córtex desabrochou em grande rapidez.

Desde então, o homem ganhou para si uma mente muito complicada. Os orientais (e já são muitos os ocidentais) dize m que temos um Ego. Esse Ego é fruto de nossa mente desperta na dimensão física. Mas não é o nosso Eu Superior e verdadeiro.

Os tratados acerca desse pontual fenômeno reiteradamente afirmam que temos que nos livrar do Ego. Temos que esvaziar tudo o que esse Ego nos sopra continuamente nos pensamentos. Temos que esvaziar a mente.

Na cultura cristã prevaleceu, depois das distorções do Credo Niceno, que devemos renegar o Diabo, orar e vigiar contra suas constantes sugestões, combater os olhos que não se cansem de ver e os ouvidos que não se cansam de ouvir.

Ainda não sei como alinhavar isso tudo com os Anunnakis...

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Aliens ou Decaídos?

Não vamos tentar nos aventurar nas complexas concepções de Thelema, menos ainda no que concerne a Aleister Crowley, nome que dispensa apresentações aos que gostam de leituras sobre o Oculto. Vale apena dizer que Crowley, em relação às críticas que ainda são intensas quanto à sua vida e atividades, talvez tenha "pecado" por um senso libertário agudo, não hesitando no uso de substâncias em seus rituais. Além disso, desceu escadas obscuras que muitos rejeitaram conhecer.

Mas uma coisa é criticar esse ou aquele aspecto da vida de Crowley. Outra, bem diferente, é pretender que Thelema seja uma doutrina espúria, sem estrutura, sem base conceitual. Não é. 

Enfim, deixemos Crowley e Thelema para os que se debruçam nesses importantes estudos. Abordemos apenas uma faceta que outrem poderão aclarar muito mais.

Observemos a imagem abaixo, desenhada por Crowley como sendo a representação de um ser cognominado LAM:


Não é preciso muito esforço para identificar a óbvia semelhança de LAM com o que se costumou designar "greys" no âmbito da Ufologia. Bem por isso faz todo o sentido destacar que esse desenho foi elaborado, segundo os autores que acompanham os estudos telêmicos, em 1941.

Nos anos que se seguiram, notadamente a partir de 1947, uma epidemia (na verdade, uma pandemia) de avistamentos de OVNIS tomou conta da mídia e colocou em polvorosa a estrutura de defesa dos países. O caso de Roswell é apenas o mais famoso. E ridiculamente iniciou a fase de ocultamento pondo na testa de cada leitor americano a pecha de imbecil ao asseverar que a notícia da véspera, acerca de uma nave que caíra, estava equivocada pois tudo não passava de... um balão meteorológico...

Mas também em vários pontos do planeta houve avistamentos e até mesmo quedas de naves. Na Rússia, no México. Não é difícil achar numerosas referências numa simples pesquisa no Google.

O problema maior é que LAM, a tal entidade que se comunicou com Crowley, era na verdade um ser representativo de um portal. Isso mesmo, um ser cuja imagem, além de exibir sua forma, foi dada a conhecer para que, desde que devidamente mentalizada por visualização prolongada, permitiria ao homem adentrar a estamentos comumente inacessíveis de sua própria mente.

Citam-se nomes de pessoas que assim procederam e, empolgados, pretenderam ir além do próprio Crowley. Propunham-se a não apenas adentrar aos estados alterados da consciência mas sim abrir in totum o portal. Para isso necessitariam da encarnação (nascimento nesta dimensão comum aos homens) de alguém mais. As referências são lacunosas. Os textos que se vê na internet falam, falam, mas não descem aos contornos exatos do empreendimento transcendente. Consta que uma mulher concordou. Uma mulher? Sim. Haveria então uma gravidez? Bem possível, não sei. 

Não tenho medo, nem vergonha de dizer não sei. Até porque gostaria muito que alguém pusesse a público esses meandros, sem meias palavras. 

O próprio Crowley teria alertado dos perigos envolvidos nesse projeto. Difícil imaginar alguém como Crowley receioso de fazer algo. Seja como for, o fato é que há referência aos Anjos Enochianos, nada menos que uma turma que é tomada frequentemente como uma mitológica referência ao ímpeto luciferiano que toca a alma humana em busca do conhecimento.

Sabe quando assistimos àqueles filmes que retratam ao pé da letra a mitologia? É um misto de jocosidade e empolgação ver seres como quimeras, semideuses, deuses, muitos deles olhando os homens com desprezo.

Zecharia Sitchin ficou conhecido no mundo todo por interpretar as traduções das tábuas sumérias, debruçando-se em vários tradutores, tendo partido de uma premissa bem corajosa. Sitchin tomou das informações constantes na pretensa "mitologia" suméria como relatos. Viu nos termos usados as palavras possíveis para uma cultura da obscura antiguidade. Trouxe ao mundo a tese dos Anunnakis, nossos pais extraterrestres que, dentre outros aspectos, em meio a acertos e desacertos, concatenou parte de seu próprio código genético com hominídeos simiescos e iniciou a aventura humana neste orbe. Há espaço nessa tese para explicar todas as quimeras, os semideuses, tanto os bonitos como os monstruosos.

No entanto, apesar de ninguém ter o martelo para o julgamento final, ao que tudo indica os Anunnakis teriam uma aparência tal que consideraram o homem um ser belo. Notadamente as mulheres. A própria Bíblia diz que deuses tomaram as filhas dos homem e as desposaram.

Não creio que a imagem de LAM possa ser tida à conta de alguém que gerasse uma mulher bonita por cruzamento com uma fêmea simiesca. Brincadeiras à parte, talvez a guerra entre "anjos" e "anjos", máxime quando pensamos nos Vimanas da cultura indiana (dêem uma olhada no Google), tenha muito pouco de mitológico.

Não. Não vou sequer tentar uma tese (mais uma) sobre a origem desse bando de seres tão díspares como o homem. Um tigre é um tigre. Mas um homem, pode ser Mahatma Gandhi ou Stalin.

Só penso que um certo grupo de seres pode mesmo estar sedento de abrir uma via de acesso para a dimensão em que nós vivemos. Aliás, pode ser que tais seres, derrotados um dia, estejam "escapando" para essa dimensão desde os eventos iniciados em 1947. 

Os portais teriam sido abertos?


quinta-feira, 22 de junho de 2017

O MONGE

O MONGE

Essa é a história de um Monge.
Dizem que foi assim.
O monge caminhava só com o olhar perdido no sol que lentamente se punha por trás da Serra da Mantiqueira. Tomou na destra o terço antigo, regalo de um Bispo que gostara do clamor de suas orações. Parou. Observou-o arqueando o sobrolho direito. Que fazer com aquele tão querido objeto agora?
A fuga do Mosteiro não poderia ter sido mais fácil. Após 42 anos lá vivendo ninguém desconfiaria de que aquela saída, embora não autorizada, iria além das margens do rio para as costumeiras colheitas de pequenos frutos silvestres. Todavia, ali estava ele agora, muito além dos arbustos, pisando mato, espinhos, terra e pedras. Os pés descalços não se deviam a um esquecimento. Desejou como nunca sentir o mundo sob si mesmo. O mundo que, um dia, ele pensou ter começado a entender.
Retomou o passo ao mesmo tempo em que, num esforço máximo, atirou o terço nas águas do rio. Uma estranha sensação de heresia envolveu-o ao mesmo tempo em que não podia evitar um incerto alívio.
Ouviu mugidos ao longe. Cães ladravam em auxílio ao campesino que lutava por reunir os animais para a noite que rapidamente caía. Logo nada mais importaria. O homem com chapéu de palha, mesmo distante, acenou energicamente com um grande sorriso. Nada lhe restou senão devolver a gentileza, com amargor e medo. Voltou-se e vislumbrou o Mosteiro como um vulto escuro e majestoso. Logo estrelas pontilhariam o céu. Aquele mesmo céu que lhe serviu de altar, na janela de sua pequena cela, em infindáveis preces e êxtase de bem-aventurança.
O grisalho Monge jamais aprendera a nadar. Temia as águas, a correnteza forte que se afastava do Mosteiro em direção à cidade e sua vida mundana. Mas agora tinha uma indescritível certeza de que terminaria no frio daquele abraço.
Um pecadilho despedaçara sua fé, suas crenças, sua vocação monástica. A satisfação de um desejo pequeno, não carnal, simples, foi-lhe a chave para abertura dos portais do inferno.
Seu irmão gêmeo visitava-o de quando em quando. Insistia sempre nas desagradáveis perguntas sobre sonhos, pesadelos. Chegava a ajoelhar-se suplicando que contasse. Mas sempre, conquanto com carinho sincero, o Monge o soerguia garantindo-lhe que, ali, na atmosfera das orações e louvores, somente sonhava com os Anjos do Senhor.
O irmão se retirava e prometia voltar, sempre repetindo que um dia teria que contar a verdade.
Semanas, meses, anos. Numa tarde chuvosa o gêmeo chegara todo molhado. Vários clérigos acorreram com toalhas e roupas secas. A maioria olhava de soslaio para o Monge como a dizer “ele sempre vem, mesmo que chova”. Dessa vez tinha algo mais. Um pacote que recusou-se a entregar mesmo ao verter suas vestimentas. O pequeno pacote estava envolto em plástico, providência presciente da chuva que, desde a cidade, já se avizinhava. O pátio em que ocorriam as visitas foi excetuado e autorizaram a subida do visitante à cela do Monge. Longo tempo conquista pequenos privilégios.
Fechada a porta, o Monge estava levemente irritado adivinhando as velhas perguntas que ouviria. Não obstante, o gêmeo nada perguntou. Sentou-se na única cadeira deixando que seu irmão ficasse com a cama. Segurava o pacote contra o peito e fitava o irmão com doçura mas sem sorrir. Pela primeira vez o Monge iniciou o colóquio. O gêmeo baixou a cabeça ao ouvir cogitações sobre o dia a dia na cidade, os parentes, o trabalho, as visitas ao cemitério. Logo o Monge percebeu e aquietou-se.
O olhar de ambos congelou por infindáveis segundos. A interação gemelar gritou no silêncio reinante. O gêmeo estendeu a mão e ofereceu o pacote. Não respondeu à pergunta sobre o conteúdo. Levantou-se e abriu a porta. Antes que o Monge pudesse palavra dizer, um olhar ríspido e francamente acusatório calou-o.
Nunca mais o irmão veio ver seu gêmeo religioso.
O Monge logo viu que parecia um livro, mas era um caderno de capas duras. Estava todo anotado. Nícolas, seu irmão, havia escrito cada um dos sonhos, com a data e o horário em que despertara. Usara caneta de tinta preta e todo o grosso caderno estava usado.
Uma lágrima desceu-lhe à face percorrendo os sulcos que o tempo abrira na face. Fechou os olhos e esmagou as lágrimas vindouras. Deixou o caderno na cama e puxou levemente o pequeno armário suspenso em que mantinha sua Bíblia e aparatos litúrgicos. Ao solo caiu um caderno. De capas duras, grosso, todo anotado em tinta azul.
Página por página, palavras muito semelhantes rebuscavam as mesmas datas e horários. Ele sabia. Seu irmão sabia. Ele, por baixo de seu hábito, tinha a fé a lhe sustentar. Seu irmão, solto no mundo, só recebeu contumaz negação ao pedido de socorro.
Veio-lhe à mente o dia em que Nícolas lhe passou, disfarçadamente, o volume de um certo Zecharia Sitchin. Nícolas, que só o chamava de Monge, advertiu-o com o nome de batismo, Zacarias, de que o conteúdo poderia mexer com sua fé. O Monge ainda achou jocosidade ao apontar ser o autor de mesmo nome e que, portanto, estaria seguro.
O livro, ao qual seguiram-se alguns outros, falavam de tempos idos, muito antes da estruturação da fé cristã. Tratavam da tradição suméria e do surgimento do homem por interação com seres de outro planeta.
Zacarias iniciou a leitura, maçante e tediosa, julgando que Nícolas certamente havia exagerado muito. Ainda assim, eis que a disciplina rígida da formação sacerdotal o fazia terminar cada livro que iniciasse. E foi assim que, vencida a resistência inicial, ultrapassados dois terços da leitura e com a familiaridade de certos conceitos e nomes, o Monge não conseguiu evitar uma crescente curiosidade sobre o que haveria mais a conhecer sobre aquele tema.
Eram blasfêmias, com certeza. Blasfêmias que adocicaram o sabor pelo conhecimento.
Foram mais algumas visitas em que brilharam os olhos de Nícolas. Para seu espanto, o Monge pedia outro livro, e mais outro, e mais outro. Todos dissimuladamente passados com a devolução do anterior.
Em meio a esse processo, Nícolas assombrou-se com um pedido simples. Zacarias queria um caderno, de preferência de capas duas e com muitas folhas. Soerguendo as sobrancelhas, Nícolas exultou. Jamais Zacarias ficaria sabendo que seu irmão comprara dois naqueles moldes no mesmo dia. Não apenas isso. Tinha-os consigo na valise. Mais uma caneta azul e uma preta.
Foi a partir de então que as visitas de Nícolas iniciaram o ciclo de perguntas sobre sonhos.
Zacarias mesmo agora não entendia o porquê de ter atavicamente negado ao irmão que estivesse sonhando as mesmas coisas. Que nos sonhos ambos interagiam. Eram amigos de seres que retornariam em breve. Agora não poderia mais lhe dizer. Antes do final de semana passado chegara a notícia para que todos orassem, pois o conhecido amigo de todos, Nícolas Gemma, havia morrido num acidente de carro.
O Monge bem adivinhara o crime exponencial. Nícolas se suicidara.
Zacarias deu-se conta de que estava já há algum tempo parado ali. Próximo do rio, no escuro. Certamente o estariam procurando no Mosteiro.
Não desejava ver mais nenhum amanhecer.
Não suportaria vivenciar mais nenhuma mentira. O Clero esmerava-se em ver a grande obra de Deus iluminando os céus da Terra com dois Sóis maravilhosos que representam o tempo da bonança. O ainda pequenino “Sol” já marcava sua presença no mundo todo. Os dias estavam mais quentes. Derretendo o que restara da fé do Monge Zacarias.
As águas o acolheram num abraço amigo. Num carinho em que reconheceu o doce e fraterno amplexo de Nícolas, bem-aventurado e bem acompanhado.
Afinal, não existem pecados.


Marco A L Silva